FCA Technoday: técnicas e tecnologias para melhorar a eficiência energética

Evoluções técnicas representam ganhos na diminuição do consumo de combustível e no aumento do desempenho. Modo de dirigir também afeta eficiência energética


Por Amintas Vidal
Carro Esporte Clube

Engenheiros da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) apresentaram para a imprensa automotiva inovações tecnológicas que aumentam a eficiência energética, mas que normalmente não enxergamos. São diversas evoluções técnicas que somadas representam ganhos significativos na diminuição do consumo de combustível e no aumento do desempenho dos novos produtos do grupo.

Além das novas tecnologias, foi destacada a grande importância do uso correto do automóvel para o aproveitamento das mesmas. A maneira de condução e a correta manutenção do veículo são tão importantes quanto as inovações da engenharia. Descuidos com o carro e um comportamento agressivo ao volante são capazes de anular todos os esforços para aumentar a eficiência energética.

Antes das soluções, aprendemos quais os elementos impactam na eficiência energética dos veículos. Seguem alguns exemplos: as diversas resistências físicas, como a residual dos freios, o peso total do carro, o arrasto aerodinâmico da carroceria e o rolamento dos pneus. As cargas de diversos equipamentos que dependem do motor para funcionar, como o compressor do ar-condicionado, o alternador e a bomba d’água. Por fim, a eficiência mecânica dos componentes em si, como motor, câmbio e sistemas reguladores de pressão e temperatura. 

Ao se moverem, os veículos precisam vencer a resistência do ar. Para melhorar o coeficiente de penetração aerodinâmica são feitas simulações em computadores e testes em túnel de vento que definem o design exterior do carro, a inclusão de peças aerodinâmicas na carroceria e carenagens sobre os conjuntos mecânicos expostos sob o mesmo.

Duas imagens comparativas do Fiat Argo, com e sem esses adendos aerodinâmicos, mostraram a diferença da aceleração do ar ao passar pelo veículo. Quatro peças plásticas sob o modelo e o aerofólio na tampa traseira provocaram grande aceleração do ar ao seu redor, melhorando a sua capacidade de deslocamento e diminuindo o consumo de combustível.

Juntamente com a aerodinâmica, a resistência ao rolamento dos pneus são as forças contrárias ao movimento dos veículos que mais impactantes no consumo. O atrito do pneu com o solo, ao contrário do que se imagina, corresponde por apenas 5% a 10% dessas forças. A deformação dos mesmos é o grande vilão, respondendo por 85% a 95% do total. Contudo, conseguir uma alta calibragem dos pneus e ainda manter o conforto de marcha dos modelos, passa a ser o objetivo. Mudanças na estrutura, na espessura das diversas partes e na composição química dos materiais são empregadas nos chamados “pneus verdes” que equipam a maioria dos carros produzidos na atualidade.

Forças residuais jogam contra o deslocamento dos veículos. Mesmo quando o motorista tira o pé do pedal, o sistema de freio ainda mantém suas partes em contato causando resistência ao movimento. O somatório das forças de atrito do câmbio, semieixos, juntas homocinéticas, cardãs e caixas de redução compõem a força residual da transmissão.  Os rolamentos dianteiros e traseiros também contribuem para o aumento das forças resistivas. Melhorias nessas peças e sistemas, assim como na eficácia de seus lubrificantes diminuem esses atritos e impactam positivamente na eficiência energética dos automóveis.

Todos os equipamentos elétricos do carro influenciam no cosumo, já que a energia elétrica é gerada pelo alternador que, por sua vez, utiliza a força do motor. Para minimizar este impacto é utilizado o alternador inteligente. Ele só funciona nas desacelerações ou frenagens. A bomba elétrica de combustível e o eletro ventilador do radiador variam em pressão e velocidade, respectivamente, para demandarem menos energia também.

O Start&Stop é um sistema à parte nesse ganho de eficiência, podendo diminuir em 20%, ou mais, o consumo de combustível. Ele desliga e liga o motor automaticamente em semáforos ou no trânsito parado. Todas as partes envolvidas no processo são dimensionadas para o uso extra dos componentes e a eletrônica auxilia em sua máxima eficiência, como parar o motor em posição ideal para ser religado, por exemplo.

O emprego de aços especiais de alta e ultra resistência, como os utilizados no Fiat Argo, contribuem para a diminuição do peso estrutural e consequentemente no consumo de combustível. Ao mesmo tempo, o Argo deverá apresentar resultados melhores nos testes de impacto frontal e lateral, quando comparado aos modelos que não usam esses metais especiais.

Outros equipamentos de conforto com sistemas inteligentes e conjuntos de motores e câmbios calibrados para funcionar com maior eficiência energética completam os esforços da FCA para diminuir o consumo de combustíveis e as emissões de gás carbônico em seus automóveis.

Realizamos três testes em pista que comprovaram os resultados positivos provenientes dessas diversas tecnologias aplicadas ao Fiat Argo, o lançamento mais recente do grupo FCA. Testamos o sistema Start & Stop em seis voltas na pista, com três paradas de 30 segundos em cada volta. Nas três primeiras voltas com ele desligado e nas três últimas com ele ligado. O consumo caiu 22,4 % ao usa-lo.

A segunda prova visava mostrar como a forma de dirigir influencia o consumo. Também em seis voltas, nas três primeiras o percurso foi feito aos 100 km /h e com as trocas das marchas realizadas sempre às 4.000 rotações do motor. Nas ultimas três, a velocidade padrão baixou para 60 km/h e as trocas ocorreram sempre às 2.000 rotações. Este resultado foi impressionante: 80,3% mais econômico na condução mais suave.

No ultimo teste rodamos com dois carros idênticos, mas em condições diferentes de manutenção. O primeiro estava com as revisões em dia, coma a suspensão alinhada e os pneus na calibragem indicada no manual do proprietário.  O segundo estava com as velas e o filtro de ar vencidos, desalinhado e com algumas libras de pressão a menos nos pneus. Houve um cosumo 13,4% maior no carro com a manutenção negligenciada.

Foram listadas 10 dicas que corroboram para o amplo aproveitamento das tecnologias apresentadas acima:

1ª _Fazer todas as manutenções nos prazos determinados. Carro sem problemas mecânicos gasta menos combustível.

2ª_Calibrar os pneus semanalmente. Pneu murcho aumenta o atrito e consequentemente o consumo do veículo.

3ª_Fazer o alinhamento do carro assim que ele começar a puxar a direção para um dos lados.

4ª_ Retire do interior do carro todos os objetos desnecessários para diminuir o peso transportado.

5ª_Mantenha o manual do proprietário em mãos para se orientar sobre a maneira correta de utilizar e dar manutenção nos diversos sistemas do automóvel.

6ª_Fique de olho no fornecedor de combustíveis. Se o carro começar a falhar ou alterar significadamente o consumo sem uma causa específica, troque de posto.

7ª_Acelere de forma suave e desacelere antecipadamente para acompanhar o tráfico sem precisar frear.

8ª_Use o ar-condicionado na regulagem necessária para garantir conforto a bordo. Não o deixe na potência máxima o tempo todo.

9ª_Trafegue em velocidades menores. Dirija abaixo da máxima permitida quando tiver tempo para concluir o percurso em velocidades mais moderadas.

10ª_Evite trocar as marchas em rotações elevadas do motor. Siga as indicações de trocas de marchas nos modelos que possuírem esse recurso.  

 

 

 

 

Comentários

comments

Carro Esporte Clube

Fotos, notícias, lançamentos, testes, vídeos e dicas sobre veículos. Bom humor e lifestyle!