Teste | Renault Sandero Stepway SCe: vida nova com novo motor

Motor SCe 16V rende até 118 cv e garante mais desempenho e economia para o Renault Sandero Stepway, que oferece até Start/Stop

Renault Sandero Stepway SCe 2017

Por Thiago Ventura
Carro Esporte Clube

A linha 2017 do Renault Sandero consertou uma falha que há tempos vinha rendendo críticas nos modelos da marca: a idade avançada da mecânica. Sandero, Logan e o SUV Duster ganharam a nova família de motores SCe, sigla para Smart Control Eficiency, com  blocos 1.0 12V e 1.6 16V. Na unidade enviada para avaliação, temos o motor maior de quatro cilindros que deu nova vida ao modelo. No visual, contudo, segue o mesmo design no interior e do lado de fora.

O novo motor tem origem Nissan e está muito mais moderno e eficiente que o anterior. O 1.6 SCe 16V oferece duplo comando de válvulas variável na admissão e diversos componentes em alumínio, tirando 30 kg em relação ao antigo. Outra novidade interessante é direção, agora eletro-hidráulica. Meu destaque, contudo, vai para o sistema Stop&Start, que segundo a marca garante até 5% de economia de combustível.

 

 

Design e Vida a bordo

Com investimento focado nas melhorias mecânicas, a linha 2017 manteve as mesmas características da atual geração do modelo, tanto do ponto de vista positivo como negativo. A versão Stepway é uma das mais bem resolvidas da linha Sandero. A suspensão elevada, a caixa de rodas com contorno preto e os apliques da mesma cor nos parachoques casam muito bem com o design robusto do modelo.

 

Painel tem belo design, mas utiliza plásticos simples.

 

Um dos principais atributos do Sandero é o espaço interno bem aproveitado. Tanto que no último mês fechou como o quarto veículo mais vendido no Brasil. Com 4.06m de comprimento e 2.49m de distância entre eixos, o carro oferece bom espaço para passageiros e carga, um diferencial no seu segmento dos hatches compactos.  Três pessoas viajam bem acomodadas no banco de trás: há encosto de cabeça para todos, no entanto o passageiro do meio conta com apenas cinto abdominal. Também faz falta sistema Isofix para cadeirinhas infantis.  O porta-malas leva 320 litros, um dos maiores da categoria.

Renault Sandero tem 4,06m de comprimento e 2.49m de distância entre eixos.

O banco do motorista conta com regulagem de altura, assim com o volante revestido em couro. Os comandos estão bem à mão, com exceção dos vidros elétricos traseiros, que ficam no console central. O sistema multimídia pode ser operado com um joystick atrás do volante, um padrão da Renault. É estranho no começo, mas depois que o motorista se acostuma, mostra-se bem operacional.

Nessa versão, o Sandero vem com a central multimídia MediaNAV Evolution com destaque para a tela touch e o sistema GPS com informações do tráfego em tempo real. O aparelho é simples, mas intuitivo e dá conta do recado. Há os modos EcoScoring e EcoCoaching que informam os dados de consumo e direção do carro e ainda dá dicas para que o motorista economize mais combustível.

O ponto mais criticado no Sandero (e também no Logan e Duster) é o seu acabamento espartano. E isso não mudou, apesar do novos motores. Nessa hora, lembramos que a origem do projeto é a romena Dacia e não a matriz Renault. O design do painel é bonito, mas os plásticos são simples e ásperos ao toque. Mesmo o aplique em black piano ao redor da central multimídia não abate a simplicidade dos materiais, principalmente ao lembrar que estamos falando de uma versão que parte dos R$ 60 mil.

 

Cereja do bolo está debaixo do capô: o eficiente motor SCe 16V


Ao volante

Se no visual externo e na vida à bordo o Sandero continua igualzinho (nem um emblema a marca colocou), na parte mecânica o carro virou outro. O bloco SCe 16V leva o hatch um passo à frente no quesito performance e economia. Ao longo de quase 900 quilômetros com o veículo, tanto em circuito urbano como em estradas, podemos comprovar na prática as mudanças.

Para começo de conversa, basta conferir os números: a potência com etanol passou de 106 para 118 cv, enquanto com gasolina o crescimento foi ainda maior: de 98 cv para 115 cv. O torque é de 156 Nm (16 kgf.m) nos dois combustíveis. Ou seja, aquele carrinho sem graça (especialmente com gasolina) mudou e agora anda bem.

 

Renault Sandero Stepway SCe 2017


Na cidade, o carro ficou ágil e com respostas mais rápidas, graças ao duplo comando de válvulas variável na admissão. E com espaço para acelerar, o Sandero vai mais longe. Na estrada ele espicha bem e dá mais segurança nas ultrapassagens. Segundo a marca, faz de 0 a 100 km/h em 10.3 segundos com etanol, 3.7s a menos que o bloco antigo. Bom número para um hatch compacto dessa categoria.

Especificamente nesta versão, que tem suspensão elevada (altura do solo de 19 cm) o balanço em altas velocidades e a sensação de saída nas curvas mais fechadas incomodam. O equipamento tem ajuste para privilegiar o conforto; em trechos irregulares, dá o troco com menos balanço.

Uma pena o carro não contar com controles eletrônicos de estabilidade e tração. Na versão com câmbio automatizado há o de tração e o hill holder. Mas tais equipamentos deveriam vir em toda a gama. Outro deslize é a presença do antiquado tanquinho de partida a frio, cada vez mais em desuso com várias outras tecnologias já disponíveis. Por outro lado, o novo motor vem com comando por corrente no lugar das correias, o que aumenta a durabilidade.

 

Espaço é destaque da linha Sandero.

Além da performance, o novo bloco surpreendeu na economia. Os números de consumo atestados no programa de etiquetagem veicular do Inmetro foram superados, tanto na cidade como na estrada. Conseguimos fazer 11 km/h com etanol no ciclo urbano! Há o sistema Start&Stop que funciona freneticamente e ajuda nisso. Até uma parada de breves segundos numa esquina já é  o suficiente para desligar o motor. Caso deseje, há um botão para desligá-lo.  

Conclusão

O Sandero já possuía como bons predicados o amplo espaço interno e a farta cesta de itens de série. O acabamento ainda fica devendo e o carro tem resultado final simples. Mas a nova gama de motores deu nova vida ao modelo, colocando-o no páreo para disputar com os demais hatches do mercado. Está mais econômico e anda mais, sendo uma opção racional para quem quer um carro completo e com desempenho justo.

 

Renault Sandero Stepway SCe 2017

 

Comandos dos vidros elétricos traseiros ficam no console central.

 

Espaço é destaque da linha Sandero.

 

Renault Sandero Stepway SCe 2017

 

Renault Sandero Stepway SCe 2017

 

Renault Sandero Stepway SCe 2017

FICHA TÉCNICA
Renault Sandero Stepway SCe 2017

Motor
1.597 cm3, quatro cilindros em linha, 1.6, flex, de 118cv (álcool) de potência máxima a 5.500rpm e 115cv (gasolina) a 5.500rpm e torques máximos de 16kgfm (a/g) a 4.000rpm

Transmissão
Tração dianteira e câmbio manual de cinco marchas

Direção
Tipo pinhão e cremalheira com assistência eletro-hidráulica

Freios
Disco ventilado na dianteira e tambor na traseira

Suspensão
Dianteira, independente, do tipo McPherson; traseira, eixo de torção

Rodas/pneus
Aro 16″/ 205/55R16

Peso (kg)
1.102

Carga útil (passageiros+ bagagem)
458 kg

Dimensões 
Comprimento, 4,06; largura, 1,72; altura, 1,55; distância entre-eixos, 2,59

Porta-malas
320 litros

Desempenho
Aceleração até 100km/h, 10,1 segundos (álcool) e 10,6 segundos (gasolina)
Velocidade máxima, 177 km/h (a) / 174 km/h (g);

Consumo (km/l)
Urbano, 8,3 (a) e 12 (g); estrada, 8,5 (a) e 12,1 (g)

 

 

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